MÁSCARAS


Se todas as máscaras caídas
revelassem o âmago do ser...
e não apenas as restituídas,
mal pintadas, máscaras de se esconder!
Se todas as máscaras caídas
deixassem, assim, dar vazão
a mais intensa verdade
que sustenta o coração...
A luz brotaria à vontade,
e expandiria, tão solta,
que quem a esconde tão bem,
por sob a água revolta,
veria que amor faz parte, também,
de tudo que faz e que sente...
e embora, talvez, envolto em saudade
e em mágoa contundente...
você pintou a primeira máscara,
em seu rosto de inocente mocidade!

CORDÉIS


Tudo aquilo que sou...
todos os meus sentimentos...
tudo que meu ser sonhou...
todos os meus momentos...
Balançam ao vento da vida;
balançam no coração;
balançam...assim, sem saída...
ao mover da minha mão!

UMA LUZ


Em meio a tempestades,
sem ver sequer uma sombra;
buscando aquelas verdades
que nem sempre se vislumbra...
mesmo em meio a esse caos,
há sempre um porto para chegar...
e, vinda do teu olhar,
uma luz a iluminar!

ENLEVO


Palavra ditas... escritas...
soando em tons variados,
traduzindo coisas sentidas...
amores tão bem guardados;
vibrando em amor intenso
num coração de poeta...
batendo no mesmo pulsar
que o sentir impetra!
E as luzes assim esculpidas
em frases móveis, dinâmicas,
ecoam num som eterno
numa alma que, envolvida,
viaja no amor sincero!

ME AFOGUEI EM VOCÊ

Uma chegada rara,
numa tarde de um dia qualquer,
desses em que se separa
as folhas de um bem-me-quer...
no meio do meu viver,
com olhos além do mar,
como uma terna luz a envolver...
Eu, que não queria amar,
me afoguei em você!
E no azul de um céu qualquer,
trazido no sopro do vento,
no doce veneno do mel
de seu claro olhar sedento...
Eu, que não sabia nadar,
me afoguei em você!

LAMENTO DA TERRA

Me fiz terra ao longo do caminho
e em flores me tornei, então;
mas a falta do humano carinho
para tratares esse generoso chão,
me fez espinhos a sufocar
a cada dor vinda da tua mão...
E as brechas, rasgadas, dilaceradas...
destroem a pele em que te permiti viver!
São marcas duras... desesperadas...
deste planeta, que não queres ver...
e do deserto que fizestes em mim,
num andar insano rumo ao desaparecer
que, como um cego, segues assim,
direto ao abismo do teu próprio ser!