PEDACINHO DO CÉU


Você trouxe um pedacinho do céu...
em cada sorriso iluminado;
nos gestos plenos e serenos;
no tanto que fica calado!
Você trouxe um pedacinho do céu...
no terno e belo semblante;
nos dedos de cálidas músicas;
no cantar tão acariciante!
Você trouxe um pedacinho do céu...
sempre que chega assim,
tal qual um jato de luz,
e se apossa de mim
sem nem perceber que seduz!

ARMADURA


Fez-se, assim, de repente,
pretenso cavaleiro andante;
com armadura e espada
e a alma cativante!
Lutou pela sua amada
e foi herói surpreendente...
mas de joelhos caiu
diante de um grande amor
que seu peito destruiu
e seus olhos encheu de dor.
Cavaleiro de tão nobre imagem
que a armadura traz até agora
e esconde em intensa coragem
um coração que em amor aflora!

AQUARELA


As cores que fazem o amor
espalham-se por entre a vida,
traduzindo um terno olor,
exalando na terra comovida
todo o sentir que vivemos
em cada eterno momento
em que, absolutos, tivemos
um mundo, arco-íris sedento
de projetar-se no universo
belo, único, primeiro...
criação de amor, imerso
em nosso ser inteiro!

TEMPO


Tempo de tudo esquecer...
os tantos ternos abraços;
beijos de amor e paixão;
sorrisos em meio a cansaços;
a mão amiga no turbilhão...
Tempo de tudo esquecer...
o luar sobre o mar sonolento;
o correr na chuva, a gargalhar;
o vibrar de um simples acalanto;
o tanto que ousamos amar...
Tempo de tudo esquecer...
só lembrança restou, nada mais, afinal,
e lembrar se tornou triste assim,
então, esquecer é por o ponto final
e encerrar uma história sem fim!

SOU


Sou seu furacão... seu pulsar...
seu terremoto sem fim...
sou quem consegue lhe abalar
e seus alicerces ruírem assim!
Sou sua incerteza mais certa,
seu querer mais renegado...
Sou a imagem concreta
no seu coração fechado!
Da sua lembrança seleta
sou quem insiste em viver...
sou sua história incompleta,
sou seu enternecer...
No duro caminho trilhado
sou quem você nunca lembrou,
pois sempre manteve guardado
que jamais esqueceu de quem sou!
Caminho, assim, do seu lado,
em visão, história, presente...
e não há lugar sustentado
vazio de mim, no seu ser existente!

SUAVÍSSIMA


Sons de suaves sonatas
saídas de dedos sensíveis
se espalham pelas enluaradas
e belas paisagens visíveis...
Com delicados gestos de dança
a bailarina se move
na bruma cálida da lembrança
onde nunca a imagem morre...
Mas, num repente qualquer,
se desfaz o tempo passado;
e de volta a este viver,
o som se faz encerrado...
e a bailarina jazia
junto ao piano abandonado...