MASCARADO




 

Imerso em meio aos sentidos,
em falsas joias disfarçado...
composto em sonhos já idos:
um belo artefato decorado
que o rosto fez escondido...
E então o olhar disfarçado
encoberto, para não denunciar
que ali ainda mora o amor
e a alma ainda anseia vibrar...
Máscara tão bem esculpida;
oculta de todos quem a usa...
mas não esconde uma vida
que ainda se emociona e sente
da simples luz de uma lua
a um céu rendado... impunemente!

ONDE...


Por mil sóis te esperei...
e muitos infinitos percorri;
por eternos universos te procurei...
e em tantos planetas vivi;
e, nunca, sequer te encontrei.
Hoje sei por que nunca te vi:
estavas onde nunca olhei...
dentro de mim... sempre ali!

SOLIDÃO


Solidão de rostos vazios...
que andam juntos na multidão;
Solidão que dá tanto frio...
e que fecha o coração!
Solidão sem nome, sem face;
é um fantasma, somente,
que nasce, morre...e renasce
de forma tão insistente!
Solidão que nasce na alma
e inunda tudo...assim...
e sobre a vida se espalma
como uma estrada sem fim!

DESNUDA

 
Suave como a pele desnuda...
no vibrar de um amor infinito,
emana uma melodia muda
num toque de pele e fremito!
Ah, se te pudesse esconder
esse amor tão puro e intenso,
como se esconde uma flor,
tesouro delicado e indefenso,
das rajadas de vento e de dor...
Mas salta dos olhos... da derme;
toda em ofegante revelação,
que em inocente alarme,
desvela em gestos, o coração!

PREÂMBULO


Guardei seu sorriso franco;
engavetei seu olhar...
o lembrar?... deixei em branco,
para não ter de voltar...
Seu toque na minha pele,
escondi no fundo da vida...
para não perceber o que impele
meu retorno à estrada antiga.
Mas sua imagem ficou,
presente em todo o lugar
onde você também sonhou
viver num pleno amar!

TALVEZ...


Talvez eu faça um poema...
com rimas do fundo da alma;
Talvez eu fale de amor...
escrevendo com calma;
Talvez me perca num teorema...
desses, complexo assim;
Talvez sinta temor...
crescendo dentro de mim;
Talvez eu cante o seu canto...
e invada o seu quarto;
E deixe em todo recanto
a marca do dia em que parto;
Talvez eu até regue as flores...
para deixar o aroma marcado,
para que você, com os olores,
pense que eu tenha ficado...
Talvez... apenas... talvez!